As marcas chinesas bateram recorde no Brasil em julho de 2026: 23% de tudo que foi vendido no país, segundo o relatório de emplacamentos da Fenabrave. Um mês antes, essa fatia era de 19,8%. Um salto e tanto pra um período tão curto.
A BYD sozinha responde por quase 9% do mercado brasileiro inteiro. Sozinha. Nem GWM, nem Chery, nem Geely, só a BYD.
Você já reparou como carro chinês virou assunto em toda conversa de garagem? Não é impressão sua. E o motor por trás desse avanço todo é o carro elétrico e híbrido, que também bateu recorde no mesmo mês.
Neste conteúdo, você vai ver os números atualizados dessa disputa, entender por que a expansão chinesa acontece tão rápido, e o que isso já está mudando pra quem trabalha com peça e reposição no Brasil.
Quanto as marcas chinesas já dominam o mercado elétrico brasileiro
Vamos aos números, porque eles contam a história melhor do que qualquer discurso. Em julho de 2026, segundo o relatório de emplacamentos da Fenabrave, o Brasil emplacou 264.775 veículos leves, alta de 15% sobre o mesmo mês de 2025.
Desse total, quase um em cada quatro carros era de marca chinesa. Veja como essa fatia se divide:

Um mês antes, em junho, essa participação era de 19,8%. Ou seja, as chinesas avançaram 3,2 pontos percentuais em apenas 30 dias. Isso não é crescimento devagar, é salto.
E o carro elétrico puxa boa parte dessa conta. Híbridos e elétricos juntos chegaram a 23,3% do mercado em julho, com 61.781 unidades vendidas. No acumulado de 2026, o volume já passa de 303 mil veículos.
A BYD teve o melhor mês da história dela no Brasil. A GWM entrou pela primeira vez entre as dez marcas que mais emplacam carro no país. Duas marcas chinesas, dois recordes, no mesmo mês.
Por que a expansão chinesa acontece tão rápido
Esse avanço todo não é sorte, nem só qualidade de produto. Tem política pública e estratégia industrial por trás, e vale entender as duas peças desse quebra-cabeça.
O programa Mover e o incentivo fiscal por trás do avanço
O Brasil criou o Mover, Mobilidade Verde e Inovação, pra substituir o antigo Rota 2030. O programa prevê R$ 19,3 bilhões em crédito financeiro entre 2024 e 2028. Cada real investido em pesquisa e desenvolvimento gera entre R$ 0,50 e R$ 3,20 de crédito. No programa anterior, esse retorno era de apenas R$ 0,12.
A diferença é enorme, e as montadoras chinesas perceberam isso rápido.
Some a isso outro fator: o imposto de importação de veículo elétrico está subindo aos poucos, até chegar a 35%. Quem só importa carro pronto sente esse custo subir ano após ano. Quem produz no Brasil, não.
Fábricas reaproveitadas: como a China ocupou estrutura de rivais
Aqui está o pulo do gato. Em vez de construir fábrica do zero, o que pode levar de três a cinco anos entre licença, obra e início de produção, as montadoras chinesas compraram capacidade já pronta.
A BYD assumiu o complexo de Camaçari (BA), onde antes funcionava a Ford. A GWM pegou a fábrica de Iracemápolis (SP), que já foi da Mercedes-Benz. A Changan monta o UNI-T na estrutura da CAOA, em Anápolis (GO). A Geely prepara produção em São José dos Pinhais (PR), na antiga casa da Renault. A Leapmotor vai usar o polo da Stellantis em Goiana (PE). A MG Motor ocupa a antiga fábrica da Troller, no Ceará. E a Omoda & Jaecoo vai produzir em Itatiaia (RJ), onde antes era a Jaguar Land Rover.
Prédio pronto, instalação elétrica pronta, licença ambiental pronta, mão de obra especializada já formada. É como comprar uma casa mobiliada em vez de construir do zero: você economiza tempo, e muito.
O resultado? O que levaria anos leva meses. E enquanto isso, as marcas chinesa já está vendendo carro no Brasil.
Quais marcas os brasileiros mais buscam
Vender carro é uma coisa. Ser a primeira marca que vem à cabeça do consumidor é outra, bem mais difícil de conquistar. E aqui a BYD também está na frente, com folga.
Um levantamento de busca no Google, feito em parceria com a Gazeta do Povo, olhou os últimos 12 meses de interesse do brasileiro por marca chinesa. Veja como ficou a divisão:
- BYD — 78% do interesse de busca
- GWM — 15,6%
- Jaecoo — 2,6%
- Chery — 2,6%
- Leapmotor — 1,3%
Repara na diferença. A BYD vende bem, mas domina a curiosidade do brasileiro de um jeito ainda maior. Isso costuma significar uma coisa: quando a pessoa pensa em trocar de carro, o nome BYD já está na cabeça dela antes mesmo de entrar numa concessionária.
Esse tipo de dado importa pra você que trabalha com peça e reposição. Se a procura por uma marca é tão maior que as outras, a frota dela também vai crescer bem mais rápido nos próximos anos. E frota maior significa mais carro precisando de manutenção, mais cedo ou mais tarde.
O que essa liderança elétrica muda para a reposição de autopeças
Até aqui, você viu venda, fábrica e busca no Google. Agora chega a parte que interessa direto pra quem trabalha com peça: e depois que o carro sai da concessionária, quem garante a manutenção dele?
A China já é o maior fornecedor de autopeças importadas do Brasil, à frente dos Estados Unidos, do Japão e da Alemanha. De janeiro a setembro de 2025, a importação de peça chinesa cresceu 19,6%, somando US$ 3,3 bilhões, o equivalente a 18,4% de tudo que o Brasil gastou com componente importado no período. O dado é do Sindipeças.
Só que ter fornecimento de peça não é o mesmo que ter peça disponível na sua região, na hora que o cliente precisa.
Um relato de uma loja de autopeças mostra bem esse problema. Pastilha e disco de freio para CHERY TIGGO, CHERY FACE, CHERY S18 e LIFAN X60 são diferentes entre si, mesmo sendo marcas chinesas próximas ou do mesmo grupo. Cabo de vela também muda de um modelo pra outro. Manter estoque de tudo isso é praticamente impossível pra uma loja de porte médio, e o cliente acaba esperando peça sem previsão de chegada.
Isso cria uma divisão clara dentro do próprio mercado chinês:
- Marcas Chinesas com fábrica e rede de distribuição já consolidada no Brasil (BYD, GWM, CAOA Chery) resolvem reposição com mais facilidade.
- Marcas Chinesas recém-chegadas ou ainda instalando produção dependem mais de importação direta de peça, com prazo mais longo e estoque mais instável.
Pra quem trabalha com reposição, essa divisão é a informação mais valiosa deste texto. Marca já assentada no Brasil costuma resolver essa questão com o tempo. Marca ainda sem fábrica firmada no país é a que mais dá dor de cabeça pro consultor de oficina hoje.
Os riscos que podem travar essa expansão
Nem tudo é avanço garantido. As dez maiores marcas chinesas concentram 84% de todas as vendas chinesas no mundo, o que deixa uma quantidade grande de marcas chinesas menores brigando pelos 16% restantes, numa guerra de preço difícil de sustentar.
Quando essa guerra aperta, marca menor pode sumir ou ser absorvida por outra maior. Já aconteceu com a Lifan, incorporada pela Geely. E quando isso acontece, quem sofre na ponta é o dono do carro e a oficina que atende ele: sem rede de peça, um conserto simples pode virar perda total.
Uma pesquisa recente mostrou que quase metade dos consumidores brasileiros já teme isso, a marca chinesa que compraram hoje simplesmente não existir mais daqui a cinco anos.
Esse risco reforça algo importante pra quem trabalha no setor: acompanhar quais marcas chinesas estão realmente se firmando no Brasil, com fábrica e planejamento de longo prazo, ajuda a decidir com qual fornecedor vale a pena construir relação.
Perguntas frequentes sobre as marcas chinesas no Brasil
Qual marca chinesa mais vende no Brasil?
A BYD lidera com folga, respondendo sozinha por 8,9% de todo o mercado brasileiro em julho de 2026. A GWM vem em segundo, com 3,5%.
As marcas chinesas realmente dominam o mercado elétrico?
Sim. Híbridos e elétricos somaram 23,3% das vendas em julho de 2026, e a maior parte desse volume vem de marca chinesa, com a BYD na liderança isolada.
Marca chinesa tem peça de reposição disponível no Brasil?
Depende da marca. Quem já tem fábrica e rede consolidada, como BYD, GWM e CAOA Chery, resolve reposição com mais facilidade. Marca recém-chegada ainda depende mais de importação direta, com prazo mais longo.
Existe risco de uma marca chinesa desaparecer do Brasil?
Existe, principalmente entre as marcas menores. Já aconteceu com a Lifan, incorporada pela Geely. Quase metade dos consumidores brasileiros demonstra essa preocupação, segundo pesquisa recente.
Por que as marcas chinesas crescem tão rápido no Brasil?
Dois motivos principais: o programa Mover, que oferece crédito fiscal por investimento em pesquisa e desenvolvimento, e o reaproveitamento de fábricas já prontas, como a da BYD em Camaçari (BA), antes operada pela Ford.
Marcas chinesas no radar: onde a reposição encontra essa transformação
O avanço chinês não vai parar. E quem trabalha com peça e reposição não pode ficar de fora dessa conversa, seja pra entender demanda nova, seja pra identificar fornecedor confiável nesse mercado que ainda está se formando.
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